segunda-feira, 10 de outubro de 2016

LEITURA, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E SÍNTESE TEXTUAL (LEITURA)

LEITURA, ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E SÍNTESE TEXTUAL (LEITURA)

INTRODUÇÃO

Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e filosofia, estão diretamente relacionados com a correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata compreensão dos textos teóricos. Habituados à abordagem de textos literários, os estudantes, ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram dificuldades logo julgadas insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.
Na realidade, mesmo em se tratando de assuntos abstrato, para o leitor em condições de “seguir o fio da meada” a leitura torna-se fácil, agradável e, sobretudo, proveitosa. Por isso é preciso criar condições de abordagem e de inteligibilidade do texto, aplicando alguns recursos que, apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor na apreensão da forma lógica dos raciocínios em jogo, ajudam muito na análise e interpretação dos textos.

O QUE É LER?

Você está lendo neste momento e também lê quando consulta a lista telefônica e verifica o preço dos produtos numa loja. Certamente você leu "as flores do mal", ou talvez "O capital". O que há de comum em todas essas atividades? Ler o que é isso? A leitura é um modo particular de aquisição de informações, os objetivos da leitura são a compreensão do texto escrito e/ou o alcance de uma impressão de beleza, porque quando lemos, estabelecemos freqüentemente associações, evocamos imagens, construímos raciocínios, às vezes até sonhamos acordados.
Texto, a obra, é a expressão do viver, participar; é o produto humano colocado no mundo. É a manifestação do que o homem produz nos vários campos das artes, da literatura e do saber. Expressa – se por meio dos mais variados meios simbólicos: peças de teatro, filmes, televisão, pinturas, esculturas, literatura, poesia, livros científicos, artigos de revistas, jornais.
Os textos teóricos requerem sempre o emprego da razão reflexiva, e isso pressupõe uma certa disciplina intelectual, um método de estudo. Método entendido como o caminho a ser percorrido, demarcado do começo ao fim, por fases ou etapas. O método serve de guia para o estudo sistemático do texto teórico: compreende-o e interpreta-lo.
A Importância da Leitura pode ser considerado um manual para principiantes em graduação, que através de uma linguagem clara e objetiva nos mostra que o ato de ler exige uma consciência crítica e sistemática, adquiridos através da prática. Afirma que a leitura não deve ser confundida com o simples ato de descodificar sinais gráficos, pelo contrário, é necessário passar pelos planos da intelecção, da interpretação para finalmente chegar a aplicação, podendo ser: icônica, gestual e sonora.
Pode-se partir da consideração de que a comunicação se dá quando da transmissão de uma mensagem entre um emissor e um receptor. O emissor transmite uma mensagem que é captada pelo receptor. Este é o esquema geral apresentado pela teoria da comunicação.
Ao escrever um texto, o autor (o emissor) codifica sua mensagem que, por sua vez, já tinha sido pensada, concebida e o leitor (o receptor), ao ler um texto, decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, assimilá-la e personalizá-la e compreendendo-a.

LEITURA

Denomina-se leitura a compreensão de uma mensagem codificada em signos visuais (geralmente letras e cifras). O ensino e o incentivo da leitura representam, portanto, um objetivo básico de todo sistema educativo.
Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado, que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração mental, realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma revista especializada.
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida. Além de atenção, há necessidade de velocidade na leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de fixação.
Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura, se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a palavra que você está lendo naquele momento, a sua leitura se tornará lenta. Quando o comportamento ocorre desta maneira, sua percepção acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais facilmente a atenção se dispersa.
A leitura, apesar da individualidade do ato realizado, é um ato social, pois existe um processo de comunicação e de interação entre o leitor e o autor do texto, ambos com objetivos estabelecidos anteriormente dentro do contexto de cada um. Apesar de, aparentemente simples e tão natural, o processo de leitura possui uma complexidade que está subjacente porque depende do processamento humano de informações e da cognição de quem lê.
Cada leitor deve preocupar-se com o texto que esta lendo, já que esse deve ser sistematizado e com o objetivo de fornecer informações para uma melhor assimilação, possibilitando uma leitura mais rica e proveitosa.
Em relação a dificuldade do leitor enquanto, texto x Leitor, a figura a seguir pode exemplificar:

Legenda: L: leitor; T: texto; C: contexto.
Situação 1: o texto utilizado corresponde ao nível de habilidade do leitor,mas o contexto não é pertinente;
Situação 2: o leitor é colocado num contexto favorável, mas o texto não é adequado às suas capacidades;
Situação 3: nenhuma das variáveis se relaciona: o leitor lê um texto que não está no seu nível e o contexto da leitura não é adequado.

O conhecimento textual faz parte do conhecimento prévio do leitor, e é uma das condições para que haja compreensão de leitura, quanto mais habilidade e familiaridade o leitor possuir a respeito de tipologias e estruturas textuais, mais facilidade ele terá na busca por compreensão.

ESTUDO DO TEXTO

Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo.
Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor.

ANÁLISE

Para analisamos um texto devemos fazer por etapas, possibilitando por fim, a construção de um raciocínio global, obedecendo a algumas etapas de análises:

Análise Textual, que consiste em buscar informações a respeito do autor do texto, verificar o vocabulário, entre outros, podendo ser finalizada com uma esquematização do texto, tendo como finalidade apresentar uma visão de conjunto da unidade;

Análise Temática procura ouvir o autor, apreender sem intervir, fazendo ao texto uma série de perguntas, onde as respostas fornecem o conteúdo da mensagem;

Análise Interpretativa visa a interpretação, segundo situações das idéias do autor, faz-se uma leitura analítica, objetivando o amadurecimento intelectual;
Problematização visa o levantamento do problema relevante, para a reflexão pessoal e discussão em grupo;
Síntese Pessoal consiste na construção lógica de uma redação, baseada na problemática levantada pelo texto; E por fim conclui valorizando a leitura analítica como responsável no desenvolvimento de posturas lógicas na vida do estudante leitor.
ANÁLISE TEXTUAL

Análise Textual é a leitura visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, e um esquema do texto.
Para efetivá-la, inicialmente o leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira apresentação do pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos primeiros contatos iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos em um primeiro momento, e todas as dúvidas que impeçam a compreensão do pensamento do autor.
Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o leitor passe a uma nova leitura, visando a compreensão do todo. Nesta segunda leitura, com todas as dúvidas resolvidas, o leitor prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a interpretação das ideias e/ou fenômenos, na tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes, interpretando cada uma delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto, penetramos na ideia e no pensamento do autor que originou o texto. Para que o estudo do texto seja completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo, estamos efetuando sua análise.


ANÁLISE TEMÁTICA

É o momento em que vamos nos perguntar se realmente compreendemos a mensagem do autor do texto é a compreensão e apreensão do texto, que inclui: idéias, problemas, processos de raciocínio e comparações Aqui devemos recuperar:
O tema do texto;
O problema que o autor se coloca;
A ideia central e as secundárias do texto.
Normalmente isto é feito junto com o esquema do texto. Nele, você irá indicar cada um dos itens acima, reconstruindo o raciocínio do autor do texto; recuperando seu processo lógico.
É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu pensamento e transmite a mensagem. O raciocínio, a argumentação, é o conjunto de ideias e proposições logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra sua posição ou tese. Estabelecer o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstruir o processo lógico, segundo o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do texto.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir organograma lógico de uma unidade: a apresentação geometrizada de um raciocínio.


ANÁLISE INTERPRETATIVA

A análise interpretativa é a terceira abordagem do texto com vista à sua interpretação, mediante a situação das idéias do autor. A partir da compreensão objetiva da mensagem comunicada pelo texto, o que se tem em vista é a síntese das idéias do raciocínio e a compreensão profunda do texto não traria grandes benefícios.
Interpretar, em sentido restrito é tomar uma posição própria a respeito da idéias enunciadas, é superar a estrita mensagem do teto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a dialogar, é explorar toda fecundidade das idéias expostas, enfim, dialogar com o autor.
No primeiro momento da interpretação, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir, de modo lógico, os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o raciocínio foi eficaz na demonstração da tese proposta e até que ponto a conclusão a que chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e sem falhas, coerente com as suas premissas e com árias tapas percorridas.
Num segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em questão: até que ponto o autor consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a pra retomada dos textos de outros autores, até que ponto o tratamento dispensado por ele ao tema é profundo e não superficial e meramente erudito; trata-se de se saber anda qual o alcance, ou seja, a relevância e a contribuição específica do texto para o estudo do tema abordado.

PROBLEMATIZAÇÃO

É a quarta abordagem com vistas ao levantamento dos problemas para a discussão do texto. Rever todo o texto para se ter elementos para reflexão pessoal e debate em grupo.
Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas textuais, os mais objetivos e concretos, até mais difíceis problemas de interpretação, todos constituem elementos válidos para a reflexão individual ou em grupo. O debate e a reflexão são essenciais à própria filosófica científica.
Devemos, portanto:
Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para os questionamentos iniciais. Assinalar em uma folha de papel os termos, conceitos, ideias etc, que deverão ser pesquisados após a leitura inicial.
Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a idéia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os elementos básicos da unidade de leitura.
A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração inteira. Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na realidade, a regra fundamental é sublinhar apenas o que é importante para o estudo realizado, e somente depois de estar seguro dessa importância. O correto é que, ao ler o sublinhado, seja possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.

ANÁLISE PESSOAL

A discussão da problemática levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele conduz, devem levar o leitor a uma frase de elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma etapa ligada antes à construção lógica de uma redação do que à leitura como tal.
De qualquer modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao estudioso progredir no desenvolvimento das ideias do autor, bem como daqueles elementos relacionados com elas. Ademais, o trabalho de síntese pessoal é sempre exigido no contexto das atividades didáticas, quer como tarefa específica, quer como parte de relatórios ou de roteiro de seminários. Significa também valioso exercício de raciocínio – garantia de amadurecimento intelectual. Como a problematização, esta etapa se apoia na retomada de pontos abordados em todas as etapas anteriores.

INTERPRETAÇÃO

Interpretar é tomar uma posição própria a respeito das ideias do autor, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um diálogo, é explorar as ideias expostas, é ter capacidade de compreensão e crítica do texto. Interpretação é processo, num primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as ideias do texto. Num segundo momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das ideias do autor. A análise interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu. Para que haja uma boa leitura é indispensável que o leitor domine a língua, sendo capaz de conhecer a língua padrão, conhecer as variantes da língua, gerar sequências linguísticas gramaticais, produzir e compreender textos, enfim, desenvolver suas habilidades e competência linguística, podendo assim interagir no mundo da leitura da forma madura e produtiva. Para realizar a análise interpretativa de um texto devemos realizar os seguintes procedimentos:
Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se de um dicionário para esclarecer seus significados;
Não se deixe tomar pela subjetividade;
Relacione as ideias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias;
Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao texto. Essa posição tem de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes;

Faça o resumo do que estudou;
Discuta o resultado obtido no estudo.


É preciso observar que a concepção da compreensão na leitura ampliou-se, consideravelmente, nas últimas décadas no que diz respeito à participação do leitor. A atitude do leitor frente ao texto, anteriormente vista como recepção passiva de mensagens, passou a considerar o processamento mental de informação da compreensão e evoluiu para uma perspectiva de interação entre o leitor e o texto.
Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento qualitativo e quantitativo sobre o tema estudado.

SÍNTESE TEXTUAL

A leitura analítica serve de base para o resumo ou síntese do texto ou livro. Entende – se que é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto.
Esta é uma etapa que você só pode fazer se já tiver um bom acúmulo de leituras sobre o tema, conhecendo bem o assunto, tendo lido outros autores sobre o que foi estudado e conhecendo as críticas que se fazem àquele autor e àquelas ideias, após essa análise você pode começar a problematizar o texto. Na prática, isso significa levantar e discutir problemas com relação à mensagem do autor.

CONCLUSÃO

Embora se tenha consciência de que, nomeadamente nos textos literários, a experiência de leitura é conexa do reconhecimento da pluralidade de interpretações, é igualmente necessário sublinhar que o contexto de interpretação é validado por um conjunto de elementos textuais e sócio-históricos que implicam que nem todo o ato interpretativo é por si mesmo legitimado. Isto significa que ler e interpretar são atos de percepção relacional e argumentativa, e que esta sua fundação não deve ser ignorada.
Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam os olhos passarem pelas palavras, enquanto sua mente voa por lugares distantes. Esses lêem apenas com os olhos e só percebem que não leram quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então devem recomeçar tudo de novo porque de fato não aprenderam a ler. É preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que leu um livro rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler.  

Funções da Linguagem

Funções da Linguagem
Ao produzir um texto você também realiza a comunicação. Nesse ato, além de querer ser compreendido, deseja que suas ideias sejam depreendidas e aceitas pelo receptor. E, para a eficácia desse processo, são precisos seis elementos: emissor, receptor, canal, mensagem, código e contexto ou referente. Com base nesses elementos, podemos articular outro elemento, conforme a intenção do ato comunicativo. Deste modo, a linguagem atingiria diferentes funções ao dar prioridade a determinado elemento da comunicação. Classificamos essas funções em seis tipos: emotiva ou expressiva; referencial ou informativa; poética, conativa ou apelativa; fática e metalinguística.
Emotiva ou Expressiva
Leia a seguir a carta escrita por Jorge Amado a Zélia Gattai quando o escritor participava do Congresso da Paz, em Viena, em 1951. Essa carta é um exemplo de função emotiva.
Viena, 4
Meu amor,
Recebi hoje pela manhã teu telegrama, vou a buscar amanhã, segunda-feira, os remédios pedidos.
Faço-te este bilhete durante uma reunião de Comissão para te enviar minha saudade a ti, a João e a Paloma.
Nunca tive tanto trabalho em toda a minha vida. Entro no local da reunião antes das 8 da manhã e saio sempre depois da meia-noite. Ontem saí 1 e meia da manhã e fui despertado com teu telegrama às 6h. Estou fatigadíssimo.
Todo mundo vai sem novidade. Todos te enviam abraços.
Neste momento que te escrevo Dona Branca deve estar falando em plenário. Oh! Meu Deus!,
que senhora chata. Já estou farto.
Fiquei contente em saber que todos estão bem. Beija os meninos por mim e recebe um beijo meu com toda a saudade e o carinho do teu
Jorge”.
Com a leitura, você observa que o autor está centrado em si mesmo, revelando seus sentimentos e suas emoções (minha saudade a ti, Fiquei contente), por isso é comum a constância do pronome de primeira pessoa (minha, meu, mim) e verbos nessa mesma pessoa (recebi, tive, saio, escrevo…)
O texto manifesta também opiniões (Oh! Meu Deus!, que senhora chata). A realidade do autor é retratada de forma subjetiva, é o seu ponto de vista que está em jogo. Além dessas características analisadas, o ponto de interrogação, reticências e exclamações são sinais que revelam emoções do emissor.
Portanto, tudo o que em uma mensagem revelar emoções, sentimentos, opiniões e avaliações do emissor diante da vida pertencerá à função emotiva da linguagem.
Referencial ou Informativa
Leia a notícia apresentada a seguir.
06/02/2007 – 13h37 – G1 – Planeta Bizarro
Polícia prende 155 cabras e leva todas de camburão para a delegacia
Devastaram plantação de tomate e milho de um argentino.
Verdadeiro dono não apareceu para pagar fiança.
MENDOZA, Argentina – O agricultor Antonio Vergel decidiu colher alguns dos tomates e milhos que cultiva em seu sítio em Mendoza, na Argentina e, quando pôs os olhos na plantação, seu coração gelou: uma quantidade inacreditável de cabras devorava tudo o que via pela frente.
Depois de tentar sem sucesso espantar a horda de invasores, Vergel ligou para a delegacia, segundo foi publicado no site argentino Infobae.
“Eram dez e pouco da manhã e o homem, alucinado, nos contava sua tragédia. Fomos ao local com um caminhão preparado para o transporte de animais, mas chegando lá vimos que eram realmente muitas”, declarou um dos policiais ao Los Andes online.
Uma a uma, elas eram colocadas no caminhão na condição de presas. Foram encaminhadas a um centro de detenção de animais da polícia em Los Corralitos.
Na mesma tarde, pelo menos três pessoas apareceram dizendo ser as proprietárias do rebanho. A polícia afirmou que não vai ser assim tão fácil tirar a bicharada da cadeia.
Elas foram enquadradas no código 114 do Código Penal argentino, e o verdadeiro dono das cabras vai ter que pagar uma nota para libertá-las. Sem falar nos tomates e milhos do agricultor inconformado.
Você notou, que a notícia acima, o autor utiliza a linguagem de forma direta, objetiva e impessoal: não tece comentários ou expressa qualquer juízo de valor quanto ao assunto abordado. Além disso, os vocábulos não são empregados em sentido figurado, negando a possibilidade de mais de uma interpretação por parte do leitor. A mensagem foi organizada com a intenção de transmitir informação precisa.
Portanto, no texto em questão, predomina a função referencial (denotativa) da linguagem, centrada na informação.
Pode-se encontrar esse tipo de função em textos de caráter científico e jornalístico. Também predomina a função referencial na combinação do código não-verbal e verbal, como pode ser visto no exemplo.
Poética
A rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.
(Vinicius de Moraes)
O poema A rosa de Hiroshima revela que o poeta desejava valorizar a mensagem a ser transmitida e, para isso, além de explorar o conteúdo (os efeitos da bomba), também se preocupou com a forma de construção do texto. Para construí-lo, o autor cultivou alguns recursos que são capazes de despertar no leitor certo prazer estético (pelo seu caráter inovador) e uma determinada impressão.
Logo, quando o emissor se preocupa em enfatizar a construção e a elaboração da mensagem, tem-se o predomínio da função poética. Embora esta seja mais corrente em poesias também pode ser encontrada em textos publicitários, alguns textos jornalísticos (crônicas) e populares (provérbios) e romances (Iracema, de José de Alencar, por exemplo, é um poema em prosa).
Desafios
Questão 1
Leia este texto abaixo e identifique qual a função da linguagem predominante nele. Dê duas justificativas.
A rainha Elizabeth I, conhecida como a Rainha Virgem, adotou a Rosa Tudor como seu emblema e escolheu as palavras “Rosa sine spina” como seu mote. Ficou conhecida como rosa sem espinho e muitos dos poetas elisabetanos escreveram sobre ela. A rosa tem sido o emblema nacional da Inglaterra desde então. O país é famoso por suas rosas e é raro um jardim que não as contenha. Não há nada igual ao perfume dessas flores, e é uma felicidade que a arte dos perfumistas tenha atingido tamanho grau de sofisticação que lhes permita reproduzir o aroma para nós e para os lares. Mas é Shakespeare que tão perfeitamente sumariza as virtudes da rosa em suas palavras.
(A linguagem das Flores, Sheila Pickles. Melhoramentos: São Paulo, 1990. P.93)
Questão 2
Leia o poema a seguir e identifique qual a função da linguagem predominante nele. Dê duas justificativas.
Soneto LIV
Ó como mais bela a beleza torna-se
quando tem o doce ornamento da verdade!
A rosa é bela, mas mais bela a vemos
pelo doce aroma que nela habita.
As rosas silvestres têm a mesma cor
que as doces rosas perfumadas,
os mesmos espinhos, a mesma volúpia
quando o ar do verão expõe os botões escondidos;
mas como têm na aparência única virtude,
elas vivem esquecidas e murcham obscuras,
sozinhas morrem. As doces rosas, não;
de suas doces mortes nascem os mais doces perfumes.
Assim também de ti, bela e amável jovem,
fenecido o frescor, tua verdade em meu verso persiste.
(Willian Shakespeare)
Questão 3///
Questão 4
Em relação ao texto apresentado a seguir, assinale a opção que indica corretamente qual é a função da linguagem predominante.
Humor
Excelente o texto de Sírio Possenti sobre as frases humoradas e seus sentidos (Língua 75). Uma grande oportunidade para entender o idioma sem caretices.
Marta Oliveira Sérgio (BA), na seção Cartas de leitor da Revista Língua Portuguesa.
a) Função poética, porque o texto centra-se na mensagem e em como ela é transmitida.
b) Função conativa, pois o autor utiliza diversos recursos para convencer o leitor de suas ideias.
c) Função metalinguística, uma vez que faz reflexões sobre o próprio código.
d) Função referencial, na qual o emissor tem a função de transmitir informações.
e) Função emotiva, pois o texto expressa uma opinião e de forma subjetiva para revelar o “eu” que fala ao leitor.
Questão 5
(Enem/ 2009)
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[…]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades…
O vento varria as mulheres…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
(BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.)
Predomina no texto a função da linguagem:
a) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
b) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.



Funções da Linguagem (Parte II)
Dependendo da intenção que se deseja alcançar no processo de comunicação, a linguagem em uso pode assumir diferentes funções. Vimos, na aula anterior, as funções emotiva, referencial e poética. Nesta aula, estudaremos as funções conativa, fática e metalinguística.
Conativa ou apelativa
Está centrada no receptor e possui o objetivo de influenciar o comportamento daquele que recebe a mensagem e também chamar a sua atenção. Essa função tem a intenção de fazer com que as pessoas mudem de atitude, em razão disso, é comum o emprego do verbo no modo imperativo, uso de vocativos. Encontramos esse processo de comunicação em sermões, discursos, anúncios, campanhas publicitárias, placas de trânsito e até mesmo em uma receita de bolo.
E se a gente levasse a vida com mais humor?
Talvez, a gente descobrisse
Um jeito mais leve de
Se relacionar com quem está à nossa volta.
Reparando menos em chatices
E mais nos pequenos prazeres.
Abrindo um pouco o sorriso
- Nem que seja pra rir de si mesmo.
Espalhe seu humor por aí,
Divida uma risada com alguém.
Note que depois de todo um discurso de sedução, no final do poema há os verbos no imperativo (espalhe, divida) indicativos da função conativa.
Fática
Leia o diálogo a seguir.
- Não. Tem certeza de que nós fomos colegas?
- Tenho.
- Que engraçado. Eu não… Olha: desculpe, viu?
- O que é isso? Acontece.
- Esse café. Será que a gente pode…
- Claro. Fica pra outra vez.
- Desculpe, hein? Cabeça, a minha.
- Tudo bem.
- Então… Tchau.
- Ana Beatriz…
- Ahn?
- E se eu dissesse que meu nome é Martins?
- Mas não é.
 Nessa conversa entre os dois personagens anônimos, há falas através das quais poucas informações são transmitidas. No caso, o que se pretende é manter o contato entre eles.
Portanto, a função fática envolve o contato entre emissor e receptor para iniciar a comunicação, prolongar o contato, interromper o ato de comunicação ou testar a eficiência do canal.
Outro exemplo de função fática são os bate-papos na internet, as histórias em quadrinhos, algumas charges e tirinhas, como podemos observar a seguir
Metalinguística
Quando o código é usado para falar dele mesmo, também pode ser chamado de função metalinguagem. Os dicionários representam bem essa função, tendo em vista que ele define o significado das palavras, revelando o que elas são. A função em questão está centrada no próprio código: uma poesia que fala da própria poesia, uma peça de teatro que explica o próprio teatro, uma pessoa que faz seu autorretrato são exemplos de função metalinguística. Veja os exemplos a seguir na linguagem verbal e na linguagem não verbal.
 Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico
substantivo feminino
Rubrica: pneumologia.
Doença pulmonar (pneumoconiose) aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas.
O Auto-retrato
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore…
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança…
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão…
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança…
Terminado por um louco!
(Mário Quintana)

Para finalizar o assunto das funções da linguagem, é preciso saber que não existe função meramente pura quando redigimos, porém há aquela que predomina no texto. Além disso, cada mensagem a ser transmitida está intimamente ligada à intenção do falante, às funções e aos elementos da comunicação, como mostra o esquema.

Apreensão textual

Apreensão textual
Resumo O texto a seguir é resultado do seminário realizado na disciplina O lugar do Narrativo no discurso visual, nos dias 2 e 16 de abril de 2003. Trata-se de uma conceituação geral acerca dos elementos da narrativa, a partir do texto Tipos textuais, de João Batista Cardoso (p. 3-5). Nele são apresentados os conceitos do autor para os seguintes elementos: narrador, foco narrativo, tempo na narrativa, espaço, tema, assunto, mensagem, personagem e estrutura da narrativa.

Tipos textuais

O autor introduz o tema a ser abordado utilizando um fragmento do livro de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, que relata o desastre do qual a personagem central /narrador fora vítima, quando o jumento em que vinha montado empacou e quase o arremessou fora da sela, tendo ficado preso apenas pelo pé esquerdo. Em seguida, o animal iria disparar pela estrada não fosse um almocrevei que passava e o segurou. Surge um conflito para a personagem central, sobre a recompensa que destinaria aquele almocreve “que salvou sua vida” e, após a decisão tomada, o relato termina com a sua partida, cogitando se realmente deveria ter recompensado o almocreve com uma moeda da prata ou fora perdulário em sua atitude.

A partir desta breve narrativa, Cardoso afirma ser a capacidade de narração intrínseca ao ser humano. Tanto o homem civilizado quanto o primitivo sempre criaram suas narrativas de fatos do cotidiano ou transformaram fenômenos da natureza em lendas, histórias e contos.

Todos esses eventos relatados pelo homem acontecem em sucessão num determinado espaço de tempo. Desta forma, o tempo, que também é intrínseco às relações humanas, se torna elemento indispensável à construção das narrativas.

O gráfico abaixo sistematiza a noção de que um evento pode ser diluído em uma série de acontecimentos marginais, que evoluem desde o começo da narrativa. Considerando o exemplo do autor: “a história de um acidente é um acontecimento (conjunto universo) que se dilui em subconjuntos que vão evoluindo desde que os carros se chocam num cruzamento” (Cardoso, 2001, p. 35).

Os textos narrativos literários são classificáveis em diversos gêneros. Os clássicos são: a epopéia , poema épico ou longa narrativa em prosa que exalta os feitos memoráveis de um herói histórico ou lendário; o romance, prosa mais ou menos longa, na qual se narram fatos imaginário, cujo interesse pode estar no relato de aventuras, no estudo de costumes ou tipos psicológicos, na crítica social etc; o drama, forma ou narrativa em que se figura ou imita a ação direta dos indivíduos, texto escrito para ser encenado. Podem ser citados outros gêneros, derivados destes, como: a tragédia, a comédia, a canção, o conto.

A estrutura da narrativa se constitui da seguinte forma: os fatos são apresentados numa seqüência, localizam-se num espaço e numa época (identificáveis no texto) e desses acontecimentos (fatos) participam personagens. Esta sucessão de fatos é denominada trama, ação ou enredo da narrativa.
Segundo Zoleva Carvalho Felizardo, quando se trata de uma narrativa clássica, pode-se notar um certo rigor em alguns dos seus elementos. Existe neste caso uma imposição quanto à sua unidade de ação (enredo), onde uma situação centraliza todos os acontecimentos da história; em uma unidade temporal, especialmente no caso do conto, a história se desenvolve em curtos intervalos de tempo; em uma unidade de lugar, a ação acontece em um âmbito geográfico e social restrito.

Em comparação à narrativa clássica, a autora expõe que a narrativa moderna e/ou contemporânea rompe a unidade existente naquela estrutura. E, por esta razão, quando o escritor atribui diferentes ações em diferentes espaços a personagens multifacetadas, esta forma de narrativa transcende os limites do tempo e lugar, Cardoso afirma que fazem parte da narrativa os seguintes elementos: enredo (ação ou trama), personagens, tempo, espaço, ambiente, narrador.

Narrador Antes de tomar-se o estudo sobre definição do papel do narrador como um dos elementos da narrativa, cabe esclarecer a diferença entre os termos narração e narratividade. Narração caracteriza a emissão do narrador. No filme documentário, como exemplo, isto se dá por meio da voz em off ao explicar o que está sendo mostrado na seqüência. Em oposição, temos na literatura o gênero drama, onde não há a figura do narrador e, portanto, a ação se explica pelas próprias personagens, nestes casos não existe narração, mas trata-se também de um gênero narrativo. Pelo termo narratividade entende-se a característica dos textos que são narrativos, ou seja, trata-se do potencial narrativo do texto.

“O narrador é o elemento textual que conta a história” (Cardoso, 2001, p.36), por estas palavras o autor afirma o papel do narrador enquanto elemento responsável pela interação com o leitor no processo de recepção. Convém ressaltar que não se deve aceitar o narrador como sendo o autor, uma vez que ele é um elemento textual, e portanto uma criação lingüística do autor. O narrador somente existirá no texto, ele narra a partir do interior do relato, enquanto o autor escreve, desenvolve uma atividade externa em relação ao texto.

Segundo Barthes, “...o autor (material) de uma narrativa não se pode confundir com o narrador dessa mesma narrativa...”, “Distinção tanto mais necessária, à escala que nos ocupa, quanto, historicamente, uma massa considerável de narrativas não tem autor (narrativas orais, contos populares etc.)” (Barthes,198?, p.121), mas apesar da ausência de uma autoria reconhecida nessas narrativas a figura do narrador é que, muitas vezes, conduz a história.

Embora exista uma clara distinção entre narrador e autor, em certos momentos na literatura, alguns autores se inserem nas próprias narrativas e dialogam diretamente com seus leitores por meio de sentenças como “Meu caro leitor...” ou “O que o leitor está pensando...”, propondo uma postura reflexiva durante o processo de recepção. Shakespeare é um exemplo de autor em cujas peças a relação autor/receptor é bastante clara (ver: STAM, Robert, Reflexivity in Film and Literature, New York: Columbia University Press, 1992).

Outro exemplo dessa “intromissão” do autor é o livro de Laurence Sterne, em The life and opinions of Tristram Shandy, onde, utilizando recursos literários e de diagramação (páginas “cegas”, caracteres como **** ou ——— ) o autor convida o leitor a intervir na narrativa com suas opiniões e pensamentos.

Neste caso, a figura do narrador seria mais bem representada como um “ventríloquo” criado pelo autor a fim de manipular a sua narrativa, utilizando sua própria “voz”: é dele, do autor, a visão dos fatos.

No âmbito do design e sua intervenção na literatura, o designer torna-se capaz de fazer uso dos próprios códigos – espaços vazios, ritmo da mancha gráfica, escolha tipográfica etc. – estabelecendo essas relações entre a obra e leitor e, deste modo, atuando na geração de sentidos da própria narrativa.
Nos textos em que a história se desenvolve por meio das falas dos próprios personagens, não existe a necessidade de um narrador, como por exemplo: o drama. Narrativas que se desenvolvem sem a presença de um narrador são encontradas no teatro e também no cinema. Às vezes, em ambos os casos poderá surgir a necessidade, num ou em outro momento, de uma ligatura que aparecerá como a “voz” de um narrador.

No teatro esta ligatura pode ser representada por uma mudança de cenário, assistida pela platéia.

No cinema, ocorre onde a seqüência não é suficiente para expor o que a narrativa pretende e, nestes casos, são utilizadas informações adicionais que situam o leitor num novo ambiente ou numa mudança temporal na história. Estas “legendas” ou letreiros apresentam, por exemplo, o ano e/ou o lugar onde a ação está sendo desenvolvida. No filme As horas (The hours), de Stephen Daldry (2002), são utilizadas “legendas” indicando a troca de cenas das três personagens que participam da narrativa em seus diferentes tempos e espaços – arredores de Londres, 1923 (Virginia Woof – Nicole Kidman); final do século 2000 (Clarissa Vaughan – Maryl Streep); Los Angeles, 1951 (Mrs. Brown – Julianne Moore). 

Deste modo, o diretor apresenta as personagens e, simultaneamente, cenários com suas identificações geográficas e temporais. A partir do momento em que o espectador reconhece os três tempos históricos da narrativa, os letreiros são retirados e a compreensão se faz pelas próprias personagens, cenários e ações.

No sistema de comunicação, isso equivaleria aos “reforços de sentido” que podem corrigir a distorção em um discurso. Um desses “reforços” pode ser a redundância, esta pode existir no trabalho do design a partir da presença de elementos que, em vez de agregarem uma nova informação, fortalecem o sentido de um dado já apresentado. Ex.: nos sistemas de sinais luminosos, o reforço se dá com a repetição e simetria no uso de semáforos no alto e também nas laterais esquerda e direita da via urbana. A informação, neste caso, é a mesma – vermelho: pare – mas diante desta redundância tem-se uma garantia maior da compreensão da mensagem. Outro reforço de sentido, muito utilizado na ilustração e animação é a ênfase, o exagero de algumas características, olhos maiores na face das personagens, ou o apagamento de outras privilegiando aquelas que se deseja ressaltar.

Foco narrativo O narrador pode contar uma história tanto do ponto de vista de quem assiste, quanto daquele que participa da narrativa. Ao participar dos fatos, o narrador desempenha, também, uma ação específica na narrativa: “Decorre daí a distinção tradicional entre narrador na primeira pessoa (aquele que exerce uma função na ação) a narrador na terceira pessoa (aquele cuja função se restringe à interpretação dos fatos)” (Cardoso, 2001, p. 37).

No texto em primeira pessoa, o narrador é também uma personagem. É comum a utilização do narrador na condição de protagonista da narrativa, como um recurso “que revela-se especialmente adequado para o devassamento da interioridade da personagem nuclear do romance, uma vez que é essa mesma personagem quem narra os acontecimentos e que a si própria de desnuda” (Silva, in: Cardoso, 2001, p. 37) O quadro abaixo sistematiza as diferentes atuações do narrador:

Cardoso, expõe dois exemplos muito claros para ilustrar esta estrutura: “Vai então, empacou o jumento em que eu vinha montado; fustiguei-o, ele deu dois corcovos, depois mais três, enfim mais um, que me sacudiu fora da sela,...” “mas um almocreve, que ali estava, acudiu a tempo de lhe pegar na rédea e detê-lo, não sem esforço nem perigo. Dominado o bruto, desvencilhei-me do estribo e pus-me de pé.” (Machado de Assis, Memórias Póstuma de Brás Cubas, 1996, p.40-41).

Não há dúvida para o leitor de que este fragmento do texto encontra-se em primeira pessoa, uso que ao longo da narrativa servirá de recurso para que ele conheça de forma irrestrita os pensamentos da personagem/narrador.

O autor também estabelece a diferença dessa atuação em relação ao narrador em terceira pessoa apresentando o seguinte exemplo:

“Os criados serviram o café. E como havia já três longas que estavam à mesa, todos se ergueram, acabando os charutos, conversando na animação viva que dera o Champagne. A sala, de teto baixo (...) enchera-se de um calor pesado.” “Carlos e Craft, que abafavam foram respirar para a varanda; e aí recomeçou logo, naquela comunidade de gostos que os começava a ligar, a conversa da Rua do Alecrim sobre a bela coleção dos Olivais.” (Eça de Queiroz, Os Maias, 1996, p. 106).

Entretanto, nem sempre o foco narrativo se apresenta ao leitor de modo bem definido. Roland Barthes, em A aventura Semiológica, define o código do narrador em dois sistema de signos: pessoal (eu) e a-pessoal (ele). Segundo Barthes, em algumas narrativas ou episódios, podem existir textos escritos na terceira pessoa (ele), quando na verdade se trata de uma ação na primeira pessoa: “toda parte inicial de Goldfinger, embora escrita na terceira pessoa, é de fato, dita por James Bond; para que a instância mude, é necessário que o rewriting (substituindo ele por eu) seja impossível; assim a frase: ‘avistou um homem de uns cinqüenta anos, de porte ainda jovem, etc.’ é perfeitamente pessoal, apesar do ele (‘Eu, James Bond, avistei, etc.’), mas o enunciado narrativo ‘o tilintar do gelo contra o vidro pareceu despertar em Bond uma brusca inspiração’ não pode ser pessoal, por causa do verbo parecer, que se torna signo de a-pessoal”. (Barthes, 198?, p.120).

Tempo “A relação entre o tempo e a narratividade indica que os eventos são marcados por estados que se transformam sucessivamente” (Cardoso, 2001, p.35). Segundo o autor, os eventos que constituem o texto narrativo passam de um estado a outro, são acontecimentos que sucedem no tempo. Enquanto, num texto descritivo a ação se localiza no espaço. Mas, esta polaridade não existe de modo tão limitado e ocorre que: “Na verdade, a descrição, a narração e a dissertação articulam-se freqüentemente, em um único texto, havendo, no entanto a prevalência de uma delas.” (Cardoso, 2001, p.38).

Sendo o texto narrativo representação da passagem de um estado a outro, cada subconjunto
“O” desse acontecimento principal torna-se um quadro à parte e por si traduz uma descrição. Para Cardoso, isto pode ser compreendido do seguinte modo: “...quando se faz uma comparação com um recurso da indústria cinematográfica que permite parar a imagem num ponto qualquer da cena. Ao parar a imagem, o que se vê é um quadro inserto no contexto mais amplo da narrativa. Além disso, os eventos passam-se num espaço que deve ser caracterizado, isto é, descrito.” (Cardoso, 2001, p.38)
A partir de citação da obra de Vitor Manuel Silva, o autor apresenta uma subdivisão do tempo da narrativa nos cinco tempos definidos abaixo:

• tempo histórico – tempo histórico que a História se refere; “é o tempo maior que abrange todos os acontecimentos humanos no período em que ocorrem os fatos narrados”. Nem sempre o tempo histórico de uma narrativa coincide com o seu tempo concreto. Um exemplo a ser citado é o livro O nome da rosa, de Umberto Eco: apesar do romance narrar fatos ocorridos numa abadia italiana, no séc. XIV, foi escrito em 1980, sendo o séc.X, portanto, seu tempo concreto. Em muitas narrativas consegue-se identificar o momento histórico a partir de elementos do texto/imagem que dão “dicas” sobre ele (mesmo que não se apresente uma data específica ao leitor/espectador).

• tempo-cronologia – tempo que transcorre na ordem dos fatos (começo Æ fim); “chama-se cronológico porque é mensurável em dias, meses, anos, séculos”. A relação entre o tempo histórico e o tempo-cronologia pode ser observada no filme As horas, onde as ações se desenvolvem em tempos históricos distintos (1923, 2000 e 1951), mas, possuem o mesmo tempo cronológico: um dia na vida das três personagens. A saga, por exemplo, é uma narrativa de grande tempo cronológico.

• tempo concreto – momento específico onde ocorrem os fatos; “age sobre os indivíduos que estão fora do texto” (autor, leitor). É o tempo que atua na criação narrativa e no processo de fruição; nesse universo dos indivíduos concretos, no qual o tempo concreto atua, também está presente o leitor.

• tempo como durée – tempo que modela e transforma os agentes; “atua sobre os personagens”, enquanto o tempo concreto atua nos indivíduos. Tempo de duração do evento e pode ser demostrado por um movimento na cena. Um exemplo, citado durante o seminário, teria sido apresentado por Umberto Eco no Pós escrito ao Romance O nome da rosa, onde este autor explica que construiu toda a narrativa calculando o tempo de leitura a partir da planta baixa da Abadia. Deste modo, Eco dá a dica do tempo na narrativa, ou seja, de quanto tempo está durando o desenvolvimento da cena.

O tempo como durée não deve ser confundido com o “timing” que seria uma duração que cada autor utiliza para o seu relato e que, portanto, estaria mais bem caracterizado como um estilo de cada autor e de cada narrativa. Ex: o “timing” do conto, o “timing” do romance, o “timing” da piada.


• tempo psicológico – tempo que apresenta uma ordem submetida à vontade do narrador e dos personagens sem qualquer coerência cronológica. A partir da consciência do narrador, propõe “sobretudo uma experiência do tempo tratado como objeto de consciência, incrustado numa memória” (Gancho, in Cardoso, 2001). No filme Spider, de David Cronenberg (2002), a maior parte das ações que envolvem a personagem central não é passível de identificação cronológica, o tempo na narrativa se desenvolve por meio de sua (dele) própria consciência.

Segundo Paul Ricoeur: “há um Tempo Mítico, ‘a priori’. Tempo das colheitas, das luas, das mares. Tempo que existe antes de pensarmos nele”. Entretanto, foi preciso dimensionar o tempo e assim criou-se o tempo do calendário. Este se constrói em única linha reta (uma direção), um ponto de partida (a data 0) e dois sentidos ( + e - ). Os fatos reais vivem sob este domínio, sendo dimensionados em passado, presente e futuro. Nele existem os tempos históricos, datas, períodos, contextos sociais, políticos, etc. Pode-se imaginar, então, vários conjuntos de tempos históricos inseridos num conjunto maior, o tempo do calendário.

Inserido no tempo histórico existe um novo conjunto, o do tempo concreto de uma pessoa, que pode estar vendo um filme, lendo um livro ou passeando por um site. Enfim, esta pessoa, está inserida em um tempo concreto, dentro de um tempo histórico, “assistindo” a uma narrativa.

A partir das considerações de Ricoeur, compreende-se o tempo dureé como tempo de duração.

Tempo de duração de uma personagem, que não tem tempo concreto, mas sim um tempo existente dentro da história, ao findar a narrativa ele finda também. Um exemplo da existência das personagens num tempo dureé pode ser observado em O ano passado em Marienbad (1961), de Alain Resnais, onde as personagens existem apenas dentro daquela narrativa, são “objetos” destinados a ela. Suas vidas não existem nos momentos antes ou depois da narrativa, as suas existências se restringem ao instante em que dura a projeção na tela.


Quanto ao tempo psicológico, para Ricoeur ele não é nem real, nem fantasia – passa pelo sonho, ele transcende o calendário, chega ao tempo mítico. Não conseguimos dimensionar nosso pensamento, nossos anseios que hora parecem tão longos apesar de no tempo real não passarem de um segundo, apenas.

Relações lógicas que sustentam os sentidos de um texto

Relações lógicas que sustentam os sentidos de um texto

Os sentidos de um texto estão ligados à lógica. Buscamos sempre o fio condutor da organização das ideias e das informações: buscamos a lógica dos discursos. Quando usamos a linguagem, o fazemos seguindo uma certa lógica. Abordando o ensino da língua portuguesa em uma perspectiva teórica de linguagem como atividade social. Como situação sócio comunicativa, não é possível desvincular os textos de suas situações de produção. Assim os gêneros e tipos textuais, a intertextualidade, a coerência e a coesão estão intrinsecamente relacionadas numa harmonia solidária na construção da textualidade.

Outro componente dessa harmonia são AS RELAÇÕES LÓGICAS. Essas relações hierarquizam e montam o “quebra-cabeças” da textualidade. Existem uma variedade de relações lógicas que podem ser estabelecidas entre as informações de um texto, focalizaremos apenas algumas como TEMPORALIDADE, IDENTIDADE, NEGAÇÃO E IMPLICAÇÃO.

Como os fatos ou ideias que alimentam a composição desse mundo textual costumam guardar entre si uma ordenação de tempo, a relação lógica de temporalidade constitui um "fio de raciocínio" importante para a textualidade, assim também a identidade, que se define na comparação entre objetos semelhantes, dá condições para que, ao fazer referência aos objetos do mundo fora do texto, as expressões linguísticas se organizem textualmente.

As pistas que levam ao reconhecimento dessas relações lógicas tanto podem estar mais intimamente ligadas aos elementos linguísticos que tecem a textualidade, como podem estar mais ligadas à situação sócio comunicativa, "fora do texto", articulando-o com o conhecimento de mundo dos interlocutores.

As negativas podem servir para orientar a compreensão do texto em uma certa direção da organização das informações ou para provocar reações do leitor/ouvinte que seriam diferentes se a construção linguística tivesse forma de afirmação. Por isso, em língua portuguesa, negar uma negação não é a mesma coisa que afirmá-la. Dá-se o nome de escopo, da negação aos conteúdos de uma estrutura linguística que são negados.


Ao ler um texto há também "pistas" que orientam sobre como articular esses conhecimentos (marcas linguísticas) que desencadeiam relações lógicas no texto. Muitas vezes essas informações não estão explícitas no texto: são relações de implicações. Podemos ir além do significado do texto, mas não se pode depreender qualquer coisa a partir de uma frase ou expressão, porque na leitura e interpretação de um texto buscamos sempre a coerência do mundo textual. Depreendemos, portanto, ideias que façam sentido no conjunto da textualidade (significados que estejam implícitos implicados). Aprender a ler os sentidos implícitos é parte importante das habilidades de leitura que devemos desenvolver para nos tornarmos bons leitores.

Como Passar em Concursos

Como Passar em Concursos



ANÁLISE DO EDITAL

Uma etapa muitas vezes menosprezada pelo concorrente é a análise do edital de Seleção. Ele não só define a taxa de inscrição e datas dos testes, como estabelece todas as regras do jogo. Portanto, é interessante ler com muita atenção o edital, para saber:

1.     PONDERAÇÃO
Qual o peso de cada matéria. A ponderação das notas das provas define quais as matérias que se deve estudar mais.
Podemos até escolher o cargo, ou curso, para o qual concorrer pelo que mais valoriza as matérias onde se é mais forte. Na ponderação, também ficamos sabendo qual a prova que teremos de fazer com maior atenção.
Em algumas seleções, são pontuado o currículo (cursos), experiência na área (tempo de serviço), feitos testes práticos e de resistência física

2.     CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
A fórmula pela qual será computada as notas, complementa a noção que se precisa ter sobre o que é mais importante para os avaliadores.
A fórmula geralmente valoriza determinadas matérias, comparando o número de questões acertadas com aquelas incorretas. Sempre, quanto mais se acerta e menos se erra, melhor. O programa do que é exigido em cada matéria deve ser considerado à risca

3.     CRITÉRIOS DE DESEMPATE
No edital, também ficamos conhecendo quais serão os pontos fortes quando atingirmos uma nota igual a de outros candidatos.
Normalmente, os critérios de desempate valorizam as pessoas de maior idade e que obtiveram maior nota nas provas de conhecimentos específicos. Assim, os candidatos de idade avançada podem até levar vantagem.
Os deficientes físicos já saem ganhando nesse item, pois são sempre reservadas vagas exclusivamente para eles

4.     CRITÉRIOS DE DESCLASSIFICAÇÃO
Atenção para os procedimentos que podem desclassificar sumariamente o candidato, como utilizar calculadoras, portar livros na hora da prova e, principalmente, atingir o ponto de corte.




COMO SE PREPARAR PARA SER APROVADO

A aprovação em concursos públicos exige muito empenho, determinação e um contínuo processo de preparação. As provas estão cada vez mais complexas e a concorrência, mais acirrada. São dezenas, centenas e, algumas vezes, milhares de candidatos por vaga. Mas todo candidato deve ter em conta que, para si, basta uma vaga.

Disciplinas cobradas
Variam de concurso para concurso, de acordo com a carreira, o cargo, o âmbito (municipal, estadual, federal) e o nível de escolaridade exigido. Há disciplinas básicas, cobradas na maioria dos concursos: Língua portuguesa, interpretação de texto, matemática, raciocínio lógico, atualidade e conhecimentos gerais, noções de direito (especialmente Direito Constitucional), conhecimento do regimento interno do órgão que está promovendo o concurso. Redação, conhecimento das leis que regemo funcionalismo público, informática, contabilidade e conhecimentos específicos sobre a área em que o candidato concorre também são temas cobrados nos concursos.

Estudar até passar
A ordem dos especialistas não é estudar para passar, mas “estudar até passar”. Mesmo quem ainda não decidiu em que área vai prestar, pode começar a se preparar, optando pelas disciplinas básicas, como português, matemática, direito constitucional, raciocínio lógico, entre outras. Esperar a publicação do edital para adquirir material especifico para determinado concurso não assegura a formação suficiente para concorrer em pé de igualdade com candidatos que vêm se preparando há meses ou até anos para disputar a mesma vaga.
Pó isso, o processo de formação deve ser continuo. Quem se dedica às matérias básicas adquire conhecimentos equivalentes, em média, a 80% do conteúdo exigido em pelo menos 20 concursos de uma mesma área. Divulgado o edital de abertura de concurso, as disciplinas específicas representarão uma formação completar.

 Como estudar
O mais eficaz é estabelecer uma rotina diária dedicada exclusivamente ao estudo e segui-la regulamente, o que exige uma boa dose de concentração e disciplina.
Quem trabalha e/ou freqüenta escola regular e optou por estudar em casa precisa redistribuir os horários das tarefas cotidianas para reservar pelo menos três horas diárias à preparação. Em geral, não é preciso sacrificar outras atividades, mas priorizá-las de acordo com o interesse maior – no caso, ser aprovado num concurso público. Além disso, é necessário:
·         Adquirir material didático atualizado e afinado com o que tem sido exigido nos principais concursos do País, elaborado por editoras com tradição no mercado.
·         Começar pelo conteúdo fundamental para qualquer concurso.
·         Ao optar por cursos preparatórios, é recomendável escolher uma instituição especializada e reconhecida no mercado, com estatísticas confiáveis sobre número de alunos aprovados, de preferência que ofereça cursos regularmente e não só em período de concurso.
·         Respeitar o relógio biológico. Cada pessoa deve saber em qual período do dia é capaz de fixar o conteúdo com mais facilidade. Estudar em momentos de cansaço ou em véspera de prova, não é produtivo.

Praticar
Em toda preparação, é fundamental resolver exercícios e mais exercícios para testar ou reforçar o conhecimento. Além dos exercícios contidos no material de estudo, o ideal é buscar por provas de concursos recentes, para ficar por dentro do que tem sido exigido. É recomendável resolver as provas aplicadas por variadas bancas examinadoras, pois os critérios de formulação e avaliação de cada uma são diferentes.
Assim, o candidato se familiariza com o que cada banca exige.

Antes da prova
Além de ficar atento à confirmação da inscrição e as datas e locais de prova, alguns cuidados ajudam o candidato a amenizar a ansiedade e a evitar tropeços na hora H.
É recomendável, sempre que possível:
·         Conhecer o local da prova com antecedência.
·         Procurar equilibrar o sono e a alimentação dias antes da prova.
·         Certificar-se de que a documentação está correta.
·         Evitar atrasos, especialmente os provocados pelo trânsito.
·         Usar sapatos e roupas confortáveis.
·         Levar um relógio (exceto digital), água e algum alimento, como barras de cereais e chocolate.
·         Não perder tempo em questões que parecem ser muito difíceis. Se necessário, passar para a próxima e, no final, retornar à questão que ficou para trás.
·         Reservar de 30 a 40 minutos para o preenchimento do cartão resposta.


A Preparação para o concurso é muitas vezes completamente desconsiderada:


DIA DA PROVA

1.     LOCAL
Visite com antecedência o local aonde os teste serão realizados. Muitas pessoas se perdem ou vão para locais errados, atrasando-se ou até não conseguindo realizar a prova. Trace minuciosamente o roteiro que vai seguir de casa até o local de testes, para evitar atropelos

2.     HORÁRIO
Outra questão onde seu nervosismo pode lhe trair é quanto ao horário da prova. Sempre saia com antecedência de casa, para estar cedo no local dos testes.
Os horários de máximo de chegada e de fechamento dos portões devem ser observados. Assim como, a hora de encerramento. Todos constantes no edital.
Como a tendência é exigir muito em pouco espaço de tempo, não se desligue do tempo, mas faça as provas com atenção

3.     ALIMENTAÇÃO
Evite comer demais, ou mal, antes da prova, para não sofrer congestões ou disenterias. Também não faça a prova com fome. Algumas pessoas se precavém levando lanches e água mineral, para evitar imprevistos na hora do teste

4.     MATERIAL
Confira o que é necessário levar para a prova, antes de sair de casa. Tanto os documentos e canetas, exigidos no edital, como os objetos de sua necessidade, como guarda-chuva e relógio (para cronometrar o tempo da prova) - de preferência o mesmo que utilizou para os exercícios
*Caso o edital não permita telefones celulares, bips, etc, é importante atentar para não ser desclassificado


NA HORA DA PROVA

1.     TEMPO
Controle o tempo de resolução da prova, de acordo com o tempo total disponível e o grau de dificuldade encontrado nas questões: Resolva primeiramente (dedicando mais tempo) a prova com mais peso para a pontuação final. Em cada prova, deixe as questões mais difíceis para o final.
Não se esqueça de considerar o tempo para, ao final, fazer a revisão geral das respostas, preenchimento da folha de respostas e revisão desse preenchimento

2.     REVISÃO
Alguns pontos podem ser "salvos" na última hora, justamente na revisão, ao final da resolução de todas as questões. Confrontando o que foi solicitado com o sua resposta, para evitar o erro muito comum) de marcar a questão correta, quando o que se pedia era a incorreta

3.     FOLHA DE RESPOSTAS
Também é frustrante preencher incorretamente a folha de respostas ou deixar de passar para ela uma questão que se sabia a resposta correta
A idéia é conseguir uma boa colocação. O período de validade do concurso e a prorrogação desse prazo, o remanejamento de candidatos, o aparecimento de novas vagas, desistências ou desclassificação de concorrentes, com o tempo, serão os fatores de "sorte" que se encarregarão de reclassificar o candidato.



AS VANTAGENS DA CARREIRA PÚBLICA

AS VANTAGENS DA CARREIRA PÚBLICA

A carreira pública é cada vez mais valorizada no Brasil como meio seguro de ingresso e permanência no mercado de trabalho, oferecendo muitas vantagens em relação à iniciativa privada, como estabilidade, maior salário, possibilidade de ascensão profissional e uma série de direitos e benefícios diferenciados.

Estabilidade
É um dos fatores que mais motivam os candidatos a uma vaga no setor público. Ao contrário de um trabalho da iniciativa privada, que pode ser demitido a qualquer momento, um servidor público que ingressou na carreira pública por meio de concurso adquire estabilidade após três anos de trabalho. Depois disso, normalmente, ele só perde o cargo (é exonerado) se cometer falta grave, à qual cabem diversos recursos, em que lhe é oferecido amplo direito de defesa.
O direito de defesa à estabilidade não se estende aos servidores que ocupam cargos temporários ou comissionados (cargos de confiança), nem aos trabalhadores de empresas cujo contrato é regido pela CLT (neste caso, no entanto, a justiça tem assegurado o direito à estabilidade aos concursados).

Maiores Salários
A carreira pública geralmente oferece salários melhores que a iniciativa privada. Os salários variam conforme o nível de formação exigido para o cargo (fundamental, médio, técnico, superior) e a complexidade da função. Os reajustes seguem o princípio da isonomia: são aplicados os mesmos índices, e nas mesmas datas, para os servidores com atribuições iguais ou semelhantes. Contudo, os valores são diferentes entre os Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e as esferas de governo (federal, estadual, distrital, municipal).

Direitos e benefícios
Além dos direitos comuns a todos os trabalhadores formais (férias, 13º salário, etc.), o servidor recebe adicional por tempos de serviço – um percentual sobre o salário de acordo com o número de anos trabalhados (quanto mais tempo, mais o alto o percentual) e gratificações especiais, conforme o perfil do cargo.
As licenças remuneradas incluem desde afastamento de três a cada cinco anos trabalhados, para realizar cursos de capacitação e reciclagem, licença-prêmio, licença não-remunerada por períodos de até dois anos, abono de determinado número de faltas anuais, entre outros.
Algumas carreiras também oferecem planos de previdência complementar.
 
Ascensão profissional
Os funcionários públicos desfrutam de sistemas de promoção de cargos e salários e progressão por tempo de serviço. Em grande parte das secretarias, autarquias, fundações, empresas e de outros órgãos públicos, vigoram processos de avaliação de competência como critério para a ascensão profissional. Quem investe mais na própria formação tem mais chance de ascender na profissionalmente. Em muitos casos, a realização de cursos ou de outros processos de aprimoramento profissional representa aumento ou gratificação salarial, independente da mudança ou não de cargo.

Sem experiência anterior
A grande maioria dos concursos dirigidos a pessoas de nível médio (dos quais também podem participar pessoas com nível superior) não exige experiência anterior, o que, ao contrario da iniciativa privada, abre oportunidades a jovens em busca do seu primeiro emprego. Nos concursos de nível superior, exceto em algumas carreiras, não se exige formação especifica. E o caso, por exemplo, da maioria dos cargos abertos na Receita Federal e no INSS, dois dos órgãos mais disputados por concursandos.

Aposentadoria
Os funcionários públicos gozam de sistema próprio de aposentadoria, que varia nos âmbitos federal, estadual e municipal. Em geral, suas aposentadorias são mais elevadas a dos trabalhadores da iniciativa privada, que se aposentam pelo regime geral da previdência (INSS). Servidores que atendem a requisitos impostos por emendas constitucionais aprovadas em 1998 e 2003 aposentem-se com salário integral e têm reajustes semelhantes a dos servidores que estão em atividade. Para se aposentar, o servidor deve cumprir alguns requisitos, como idade mínima, tempo de retribuição e tempo mínimo de exercício no serviço publico e no cargo em que se dá a aposentadoria.


Requisitos para aposentadoria
Sexo
idade
Contribuição
Homem
60 anos
35 anos
mulher
55 anos
30 anos


O servidor público
É o trabalhador contratado pelo poder publico – governos federais, estadual e municipal, judiciário, legislativo – para desempenhar cargos e funções em secretarias, autarquias, fundações, empresas e órgãos diversos. Entre eles estão desde auxiliares de limpeza e serventes e professores, médicos, juizes, promotores e auditores.

Serviço público no Brasil
O setor público corresponde a 11% do total de empregos no País, ocupando cerca de 8 milhões de servidores, distribuídos entre municipais(42%), estaduais(40%) e federais (18%).
Esse percentual é menor do que o de paises como a Suécia, em que o serviço público emprega 18%da mão de obra; França, em que proporcionalmente há duas vezes mais servidores do que no Brasil; e Estados Unidos, onde proporcionalmente o número de servidores é de 30% maior do que entre brasileiros. (FONTE UNICAMP)




O CONCURSO PÚBLICO

É a principal forma de ingresso na carreira pública. Os candidatos aprovados nos processos seletivos e em dias com as exigências legais são nomeados servidores públicos, assumindo seus cargos por tempo indeterminado.
A realização de concursos é uma forma democrática de seleção de candidatos, pois oferece a todos a mesma chance de conseguir uma boa vaga, sem restrições de nível social, experiência profissional, etnia, opção sexual, idade e sexo (exceto em algumas carreiras) etc. Jovens sem experiência profissional e pessoas acima dos 40 anos que encontram dificuldade de recolocação na iniciativa privada têm nos concursos uma oportunidade eficaz em conquistar um bom emprego.

Quem são os concursandos
São pessoas em busca de estabilidade e melhores salários.
·         Faixa etária dos 25 aos 40 anos.
·         70% homens e 30% mulheres, exceto nas carreiras jurídicas, em que a aprovação é igual: 50% de cada sexo.
·         60% possuem nível superior.
·         Em cerca de 50% dos casos, as despesas gerais do concursando durante sue período de preparação, bem como o material de estudo e o custo das inscrições e viagens para realização das provas, são financiados por parente.
·         Tempo médio de preparação dos aprovados: 2 anos e três meses (com dedicação exclusivas aos estudos, na maioria dos casos).
·         80% dos aprovados freqüentaram cursos preparatórios e/ou material didático de editoras especializadas.

Os números
O provimento de cargos efetivos no serviço público por meio de concursos é uma imposição da Constituição Federal, que assegura a oportunidade de ingressar na carreira pública a todos que preencham os requisitos exigidos nos editais.
Os concursos federais registram 8 milhões de inscrições por ano. Outros 13 milhões de inscrições são feitos anualmente para concursos estaduais e municipais. Como um candidato geralmente participa de mais de um processo seletivo, estima-se que 10 milhões de brasileiros estejam na luta por uma vaga no serviço público.

Edital de concurso
Para ingressar na carreira pública, todo candidato deve ficar atento às oportunidades que surgem regulamente com novos concursos, abertos por meio de editais específicos e amplamente divulgados pelos organizadores.
O edital de concursos é o documento que dita as regras do processo seletivo. Pode variar entre os concursos, de acordo com o tipo de seleção: contratação imediata, contratação temporária, cadastro reserva.

 
Itens importantes de edital de abertura de concurso:
·         Numero de vagas.
·         Vencimento ou remuneração.
·         Nível de escolaridade, que pode ser fundamental, médio, técnico ou superior.
·         Período para inscrições e pagamento da taxa.
·         Datas das provas.
·         Prazo de validade do concurso.
·         Prazo para dar entrada em recursos.
·         Conteúdo programático, em que são listadas todo as disciplinas cobradas na prova.

Divulgação do Edital
Os editais de concursos são publicados nos diários oficiais da união, do Estado ou Distrito Federal e do Município, de acordo com o âmbito do concurso. Também são divulgados pela imprensa em geral, nos jornais especializados, nos sites das instituições organizadoras do concurso e no site de cursinhos preparatórios.

Quem produz o Edital?
Uma empresa especializada em realizar e organizar concursos, bem como em formula e aplicar provas e divulgar os resultados. Essa empresa é contratada pelo órgão público que necessita de novos servidores. Há diversas instituições organizadoras de concursos públicos em todo o País. Alguns dos principais sites de instituições organizadoras:
·         www.cespe.unb.br/concursos/
·         www.esaf.fazenda.gov.br
·         www.concursosfcc.com.br
·         www.nce.ufrj.br/concurso/
·         www.funiversa.org.br
·         www.concurso.fvg.br
·         www.cesgranrio.org.br
·         www.vunesp.com.br

Etapas de um concurso
As empresas e instituições organizadoras dos concursos são responsáveis pela divulgação das diversas etapas da seleção do concurso.
O primeiro passo para entender o concurso é conferir cada um dos tipos de editais que podem ser publicados. Neles, estão contidas todas as informações necessárias ao candidato, da abertura do concurso à nomeação dos aprovados:
·         Primeiro, sai o edital de abertura, que dita todas as regras do concurso.
·         O edital de retificação é um edital que pode acrescentar, corrigir ou modificar informações do edital de abertura.
·         A convocação serve para solicitar o comparecimento dos candidatos para as etapas do concurso.
·         O gabarito é onde aparecem as respostas corretas das provas já realizadas; normalmente é divulgado logo após a aplicação do exame.
·         O prazo de recurso é o período dado ao candidato para que ele possa entrar com recurso contra o gabarito e o resultado das provas.
·         O resultado é divulgado algum tempo após cada etapa do concurso.
·         A nomeação é a lista que convoca o candidato para tomar posse do cargo.

Requisitos básicos e documentação
Além da aprovação em concurso, para ingressar no serviço público, o candidato deve preencher vários requisitos, que podem variar de acordo com o cargo pretendido (o que deve vir especificado no edital).

Confira algumas condições freqüentes para ingresso no serviço público:
·         Estar em dia com as obrigações eleitorais.
·         Estar quite com as obrigações militares (homens).
·         Ser brasileiro nato ou naturalizado.
·         Ter no mínimo 18 anos na data da nomeação.
·         Não ter sido exonerado do serviço público por justa causa em razão de ato de improbidade ou por decisão judicial definitiva.
·         Apresentar no ato da nomeação a certidão negativa de antecedentes criminais (quando solicitado).
·         Possuir, na data da nomeação, o grau de escolaridade exigido para o cargo.





BÊ-Á-BA DO CONCURSANDO

O que mais você precisa saber sobre concursos, tipos de avaliação e contratação de servidores públicos:

Acúmulo de cargos
 Em princípio, a lei proíbe que o servidor exerça dois ou mais cargos públicos ou, em alguns casos, um cargo público e outro privado. Mas há exceções: o servidor pode acumular dois cargos públicos, desde que haja compatibilidade de horários, como:
·         Dois cargos de professor;
·         Um cargo de professor e outro técnico ou científico;
·         Dois cargos em profissões regulamentadas da área da saúde.

Altura mínima
Ainda é comum a exigência de limite de altura mínima para ingresso em carreiras policiais e militares, mas há grande variação nas legislações estaduais.

Antecedentes
O setor público não admite o ingresso de pessoas que cometeram crimes graves. Em algumas carreiras também é solicitado atestado de antecedentes profissionais, como nas áreas policiais, fiscal e bancária.


Aptidão física e mental
É exigência legal para o ingresso em varias carreiras. O candidato é submetido a exames de avaliação antes de assumir o cargo. Se possuir doenças graves, contagiosas ou incuráveis pode ser reprovado. (Muitos candidatos têm recorrido à Justiça com sucesso contra reprovação por questões de saúde). Em muitos casos, são exigidos esames físicos, psicológicos e psicotécnicos.
Em carreiras policiais, por exemplo, o candidatos é submetido a prova de capacidade física, em que se avalia sua condição de suportar as atribuições do cargo. O candidato considerado inapto é eliminado.

Bancas examinadoras
São empresas especializadas na organização e realização dos concursos públicos, o que inclui, elaboração do edital, inscrição dos candidatos, elaboração, aplicação e correção das provas, análise de recursos divulgação dos resultados. Nos sites das bancas é possível acompanhar informações do concurso: locais das provas, lista de aprovados, gabaritos, recursos deferidos etc.

Cadastro de reservas
Os candidatos aprovados em concursos são convocados na medida das necessidades de preenchimento de vagas, conforme a ordem de classificação. Em muitos casos, após preenchido o número de vagas abertas no concurso, os demais concursados passam a fazer parte de um cadastro reserva – um banco de pessoal, organizado por ordem de classificação, destinado a suprir o surgimento de novas vagas.
Alguns órgãos abrem concurso especialmente para selecionar candidatos para a formação de cadastro reserva. Nesse caso, antes de se inscrever, o candidato deve avaliar qual é o órgão contratante e qual a empresa organizadora do concurso.
É recomendável dar preferências a órgãos e empresas conhecidos e desconfiar, por exemplo, quando o número de vagas para cadastro de reserva é desproporcional ao numero de funcionários em atividade do órgão contratante.

     Critério de desempate
Em alguns concursos, é estabelecido no edital; em outros, prevalece como primeiro critério a preferência por candidatos com idade igual ou superior a 60 anos. Nos demais, ficam com as vagas os candidatos que obtiverem maior nota em provas ou disciplinas consideradas mais importantes para aquela carreira.

Curso de formação profissional
É exigido por algumas carreiras e faz parte do processo seletivo. Participam apenas os concursandos aprovados em todas as fases anteriores do concurso. Para ser nomeado funcionário público, o candidato deve ser aprovado no curso de formação profissional. Durante o curso, geralmente o candidato recebe auxilio financeiro equivalente a uma parte de remuneração prevista para o cargo efetivo.


Escolaridade
É definida pelas leis que regulamentam cada carreira pública e informada no edital do concurso. Alguns concursos de nível superior realizam, após a aprovação dos candidatos na prova objetiva – e, se houver em sua etapa subseqüente - uma prova de títulos, com dia e hora marcados, quando deverão ser apresentados os títulos exigidos e complementares ao cargo em disputa. Contudo, um candidato aprovado que tenha ensino superior pode tomar posse num cargo de que exige formação de nível médio. A comprovação de escolaridade só é exigida na posse do cargo.

Estágio probatório
É o período em que o servidor nomeado para o cargo efetivo é avaliado por técnicos especializados quanto a sua assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade. Em caso de reprovação, não há o ingresso na carreira; o servidor é exonerado ou, se já for funcionário público efetivo, reconduzido ao cargo anterior. De acordo com o artigo 20 da lei 8.112/90, alterado pela Medida Provisória 431, de maio de 2008, o estágio probatório tem duração de 36 meses.

Idade
Salvo algumas exceções, os concursandos admitem candidatos com idade de 18 e 69 anos até a data da nomeação. A carreira pública tem-se consolidado como alternativa para jovens sem experiência e pessoas mais velhas, aos quais são negadas oportunidades na iniciativa privada. Pesquisa da Unicamp demonstra que, em 2005, a idade média dos funcionários públicos era de 41.6 anos contra 32,5 anos dos trabalhadores da iniciativa privada com carteira assinada.

Igualdade de sexos
Normalmente, as carreiras públicas não fazem distinção de sexo, exceto para algumas funções militares e policiais em que a oferta de vagas é direcionada para um ou outro sexo. Nas demais, homens e mulheres têm oportunidades e salários iguais e exercem a mesma atividade.

Portadores de deficiência
A constituição federal assegura 5% do total de vagas para portadores de deficiência, desde que as atribuições sejam compatíveis com a deficiência apresentada. O edital de abertura de concurso já estipula o número de vagas destinado a esses candidatos.

Prazo de validade do concurso
De acordo com a Lei 8.112/90, o prazo de validade do concurso é de até dois anos, prorrogável por igual período. Se dentro desse prazo forem autorizadas contratações de mais funcionários para aquele cargo, serão chamados os habilitados no último concurso, pela ordem de classificação. Além disso, a Lei impede a realização de novo concurso “enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expirado”.

Provas orais
São comuns em concursos de áreas jurídicas, por exemplo. O candidato é submetido a uma banca examinadora, para a qual responde a perguntas ou discorre sobre disciplinas e temas definidos no edital do concurso.

Provas práticas

São previstas em concursos para carreiras que exigem habilidades específicas para o desempenho da função, como digitação e habilitação de motorista.

Recursos
Permitem ao candidato contestar desde a impugnação de sua inscrição e requisitos exigidos no concurso até gabaritos das provas e resultados finais. Os recursos administrativos são apresentados às empresas organizadoras em prazo e forma descritos no edital. Caso persista o impasse, o candidato pode entrar com ação na Justiça Federal ou Estadual, conforme o âmbito do concurso.


COMO SE PREPARAR PARA SER APROVADO

A aprovação em concursos públicos exige muito empenho, determinação e um contínuo processo de preparação. As provas estão cada vez mais complexas e a concorrência, mais acirrada. São dezenas, centenas e, algumas vezes, milhares de candidatos por vaga. Mas todo candidato deve ter em conta que, para si, basta uma vaga.

Disciplinas cobradas
Variam de concurso para concurso, de acordo com a carreira, o cargo, o âmbito (municipal, estadual, federal) e o nível de escolaridade exigido. Há disciplinas básicas, cobradas na maioria dos concursos: Língua portuguesa, interpretação de texto, matemática, raciocínio lógico, atualidade e conhecimentos gerais, noções de direito (especialmente Direito Constitucional), conhecimento do regimento interno do órgão que está promovendo o concurso. Redação, conhecimento das leis que regemo funcionalismo público, informática, contabilidade e conhecimentos específicos sobre a área em que o candidato concorre também são temas cobrados nos concursos.

Estudar até passar
A ordem dos especialistas não é estudar para passar, mas “estudar até passar”. Mesmo quem ainda não decidiu em que área vai prestar, pode começar a se preparar, optando pelas disciplinas básicas, como português, matemática, direito constitucional, raciocínio lógico, entre outras. Esperar a publicação do edital para adquirir material especifico para determinado concurso não assegura a formação suficiente para concorrer em pé de igualdade com candidatos que vêm se preparando há meses ou até anos para disputar a mesma vaga.
Pó isso, o processo de formação deve ser continuo. Quem se dedica às matérias básicas adquire conhecimentos equivalentes, em média, a 80% do conteúdo exigido em pelo menos 20 concursos de uma mesma área. Divulgado o edital de abertura de concurso, as disciplinas específicas representarão uma formação completar.

 Como estudar
O mais eficaz é estabelecer uma rotina diária dedicada exclusivamente ao estudo e segui-la regulamente, o que exige uma boa dose de concentração e disciplina.
Quem trabalha e/ou freqüenta escola regular e optou por estudar em casa precisa redistribuir os horários das tarefas cotidianas para reservar pelo menos três horas diárias à preparação. Em geral, não é preciso sacrificar outras atividades, mas priorizá-las de acordo com o interesse maior – no caso, ser aprovado num concurso público. Além disso, é necessário:
·         Adquirir material didático atualizado e afinado com o que tem sido exigido nos principais concursos do País, elaborado por editoras com tradição no mercado.
·         Começar pelo conteúdo fundamental para qualquer concurso.
·         Ao optar por cursos preparatórios, é recomendável escolher uma instituição especializada e reconhecida no mercado, com estatísticas confiáveis sobre número de alunos aprovados, de preferência que ofereça cursos regularmente e não só em período de concurso.
·         Respeitar o relógio biológico. Cada pessoa deve saber em qual período do dia é capaz de fixar o conteúdo com mais facilidade. Estudar em momentos de cansaço ou em véspera de prova, não é produtivo.

Praticar
Em toda preparação, é fundamental resolver exercícios e mais exercícios para testar ou reforçar o conhecimento. Além dos exercícios contidos no material de estudo, o ideal é buscar por provas de concursos recentes, para ficar por dentro do que tem sido exigido. É recomendável resolver as provas aplicadas por variadas bancas examinadoras, pois os critérios de formulação e avaliação de cada uma são diferentes.
Assim, o candidato se familiariza com o que cada banca exige.

Antes da prova
Além de ficar atento à confirmação da inscrição e as datas e locais de prova, alguns cuidados ajudam o candidato a amenizar a ansiedade e a evitar tropeços na hora H.
É recomendável, sempre que possível:
·         Conhecer o local da prova com antecedência.
·         Procurar equilibrar o sono e a alimentação dias antes da prova.
·         Certificar-se de que a documentação está correta.
·         Evitar atrasos, especialmente os provocados pelo trânsito.
·         Usar sapatos e roupas confortáveis.
·         Levar um relógio (exceto digital), água e algum alimento, como barras de cereais e chocolate.
·         Não perder tempo em questões que parecem ser muito difíceis. Se necessário, passar para a próxima e, no final, retornar à questão que ficou para trás.
Reservar de 30 a 40 minutos para o preenchimento do cartão resposta